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Posse nova diretoria - Discurso paraninfo Gessé Camargo

Posse nova diretoria - Discurso paraninfo  Gessé Camargo
4 Mar 19

Última alteração - 04/03/2019 19:41:11

Caras, Andreia, Rosangela, Epimélide, Polímnia, Talia, e todas vocês caríssimas Mulheres de Facilities

Brinquei um pouco sobre seus nomes, para lembrar que alterei minha função, aqui de Paraninfo e usei os nomes de Ninfas, porque estou falando para elas, portanto, Paraninfas.

As ninfas, segundo o Google, na mitologia grega, são espíritos, habitantes dos lagos e riachos, bosques, florestas, prados e montanhas, das áreas de utilidades, das salas de reuniões sofisticadas, áreas administrativas e industriais, plantas verticais e horizontais, nos grandes centros urbanos, ou isoladas, etc.

Por isto, falo para Ninfas.

Para mim, é uma grande honra participar deste evento e mais ainda pela missão de saudá-las.

Ao longo dos meus últimos quase 30 anos atuando em FM tive o privilégio de conviver, trabalhar e aprender muito com vocês.

Se soubesse que um dia, vocês iriam se juntar eu teria esperado um pouco mais para entrar neste mercado só para ter a felicidade de ver e quem sabe apoiar a gênese deste grupo tão atuante e fundamental para o nosso negócio.

E por falar em gênese, tive também a felicidade, que todos têm, de conhecer muito intimamente a primeira mulher de facilities da minha vida que foi a minha mãe.

Ou alguém ousa duvidar que vocês fazem no seu dia a dia enquanto Facilities Managers, quase tudo e mais o que uma mãe faz por sua família?

Podemos identificar muitas semelhanças nestas duas posições, até porque FM, “ facility management (FM) is an “organizational function which integrates people, place and process within the built environment with the purpose of improving the quality of life of people and the productivity of the core business”  iso 41011:2017.”

Mas alerto as mais jovenzinhas aqui presentes que isto não deve estimulá-las a pensar que sua missão aqui na terra está realizada, pois ainda terão certamente o desejo de serem as FM de uma maravilhosa família, um dia.

 Não me ocorreu naquele instante de minha infância, que um dia, iria me dedicar a esta desafiante e, ao mesmo tempo, gratificante aventura do FM, em que destaco a alegria de estar aqui hoje, compartilhando histórias e sonhos de nossa vida profissional.

La na USP, onde me graduei, vimos muito o papel da mulher na sociedade, nas suas 4 dimensões, típicas: a Antropologia, a Sociologia, a Política e a Economia.

Concordem comigo, que no trabalho de vocês, realizam exatamente esta nobre missão que lhes é reservada, quando atuam para a evolução das pessoas, a integração social, a cidadania e o desenvolvimento econômico das instituições.

Não é verdade que FM visto como um processo global busca exatamente estes objetivos, e vocês, têm a vital tarefa de planejar, implantar, operar, controlar e desenvolver este processo?

Aqui vale refletir porque vocês são uma força indispensável neste mercado de FM.

O modo de ver o mundo, a delicadeza ao lidar com os processos, a atenção e o carinho para lidar com as pessoas, e a responsabilidade para cuidar dos recursos nos remete naturalmente as virtudes da mulher, da mãe cuidadora de uma família.

Mas mesmo com o domínio dos afazeres diários na sua função, sabem que ainda existem grandes desafios a serem vencidos e estou certo que vocês já os percebem e são frequentemente provocadas a superar.

Refiro-me aos grandes movimentos do mercado, de serviços, seja pelos players nacionais que vem se dedicando ao desenvolvimento de nosso negócio, ou aqueles que trazem para o país, as experiencias e projetos que praticam no mundo há mais tempo.

Isto fica claro aquelas que atuam ou já atuaram em grandes multinacionais e que chegaram aqui pelos caminhos do Real Estate e também as que servem aos investidores locais.

Preciso, portanto, relembrar os desafios que vejo nitidamente à nossa frente e que nos compete a todos enfrentar com firmeza.

Inicialmente, trata-se do conhecimento e da prática do FM nas grandes organizações e seu papel na qualidade de vida de seus colaboradores, da eficácia de seus processos e principalmente dos resultados esperados pelos seus investidores ou sponsors, no caso de entidade sem fins lucrativos.

FM não é apenas um cantinho do organograma, ou vários nichos distribuídos pelos líderes da gestão de acordo com sua especialidade, mas antes, uma célula que deve integrar todos os recursos de suporte ao core business e, portanto, merece um lugar destacado na governança.

O modo como esta célula estrutura seus átomos e nêutrons podem variar como na química, mas tem um papel vital no DNA da empresa além de ser um elemento chave no sucesso das suas políticas de Real Estate.

Cabe-nos, então, insinuarmo-nos definitivamente no concerto das decisões estratégicas, oferecermos a visão de como a infraestrutura deve evoluir para acompanhar a história futura de empresa, garantir o meio ambiente para a produtividade e a qualidade de vida dos colaboradores presentes ou remotos, e ainda assegurar os resultados econômicos e financeiros aos acionistas.

O segundo grande desafio do setor, são as pessoas que atuam como gestores, operadores ou apoiadores.

De onde viemos afinal, qual nossa trajetória, como acessamos o conhecimento já disponível ou aprendemos a lidar com este tema do FM?

Vale lembrar que nossas universidades formam as especialidades, mas nos deixam a responsabilidade e a sorte de juntá-las, para obtenção de outros objetivos, maiores e complexos para responder de forma integrada às grandes demandas de nossas empresas.

Qual é perfil ideal de um Facility Manager? Sou um técnico puro, cartesiano, num mundo em que as mudanças e inovações me exigem a flexibilidade e capacidade para enfrentar as novas necessidades?

Ou sou um especialista em generalidades?

Como realimentar minhas teorias e referências acadêmicas, tão longe dos bancos da escola? E onde estão estes bancos escolares que nos tornem Facilities Managers, com uma boa sequência de slides, num piscar de olhos?

Como um clínico geral, a qualquer novo sintoma do organismo, tenho que endereçar uma solução, de um simples conselho até um grande projeto, com exames complexos, e especialistas em volta para superar os problemas mais sérios. Onde está esta universidade de medicina que nos torne exímios cirurgiões?

Recomendo,  com base na teoria do filósofo francês, Jofre Dumazedier, que pregava  a chamada educação permanente, que cada um de nós tem que se avaliar, quanto à formação acadêmica, a experiência internacional, o network e principalmente a sua história como operador ou gestor destas atividades que compõem o setor de FM e criar uma agenda pessoal de crescimento. Uma atitude e prática permanentes, de pesquisa e estudo assimilando cada instante de seu trabalho e relação com o mercado para aprender mais e mais sobre o tema.

O terceiro aspecto crítico deste mercado está representado pela relação que mantemos com os parceiros especialistas que, de fato, cuidam dos processos operacionais e que muitas vezes, falham em sua missão, por deficiência dos termos contratuais, conflitando especialidades, carecendo de indicadores e metas objetivas e baixa responsabilidade sobre resultados.

É o momento de reescrever estas relações, com uma melhor distribuição de competências, deixando-lhes os processos operacionais, os investimentos em seus recursos materiais e humanos, enquanto cuidamos da gestão dos resultados, da inovação e do benchmarking.

Finalmente, e talvez o mais novo dos desafios, é a implementação tecnológica, a revisão estrutural do conceito de workplace e suas implicações na engenharia e arquitetura e nas ferramentas informatizadas de suporte ao planejamento e operação.

Não faltam ofertas de softwares e especialistas para o setor, que disponibilizam, em tempo real, informações uteis, consistentes e atuais que nos ajudem a antecipar ações gerenciais que evitem potenciais riscos de não conformidade, de qualquer natureza, logística, financeira e operacionais. Chega de gerenciar com base em autopsias, quando Inês já estiver morta, mas necessitamos de relatórios do setor que preveja, à moda de Nostradamus,  os riscos futuros a tempo de intervirmos na correção.

Um estudo recente, revela que teremos no futuro, no Brasil, cerca de 10 milhões de desempregados cujas especialidades serão abandonadas ou realizados por sistemas inteligentes, robotização, tudo monitorado por IoT, inteligência das coisas.

Que estamos fazendo sobre isto?

Como serão os escritórios do futuro e que demandas teremos que suprir?

Como influenciar os grandes investidores nos novos edifícios, de modo que no momento de operacionalizar tenhamos as melhores condições de sucesso, por que a operação foi pensada 40 meses antes, visto que lá estávamos nós.

Eis, em rápidas fotografias o que nos espera para o futuro imediato e para o qual o Mulheres de Facilities, têm todas as condições de construir.

Muito bem, meninas, se meu papel aqui foi prestigiá-las, sei que o fiz e o farei sempre. Se foi assustá-las, foi proposital e creio que fui bem-sucedido.

Mas reafirmo minha alegria em ver o trabalho de vocês, a honra do convívio e a certeza de que vocês têm um protagonismo importante pela frente com o qual espero ter o privilégio de colaborar, sempre.

Um grande abraço.